Eu estou desacreditada. Porque eu já estava ansiosa pra ver seu sorriso de orelha a orelha de cima daquele palco, atrás da mesa de discotecagem, mandando um beijo longe e de braços abertos. É que nossa história começou antes de começar e seu sonho me deu a chance de entrar em contato comigo mesma e ter a certeza de que pelo menos uma vez ao mês eu seria verdadeiramente feliz.
A verdade é que eu ficava perplexa em como você era entregue a tudo que sentia e como podíamos falar sobre qualquer coisa sem muito receio. Eu queria ter tido menos medo e mais coragem, como cê mesmo dizia. É que não vou mais abrir meu melhor sorriso, quando começar a bater palma no ritmo de Pequena Eva e o café vai ser um pouco mais amargo na caneca que você achou minha cara enquanto fazia compras. Eu já sinto falta da relação que recentemente decidimos construir juntas, como sua futura amiga desprovida de rabugices, como cê gostava de dizer.
Eu não perdoo o acaso, o tempo, a efemeridade da vida.
Envelhecer talvez seja aprender como preencher buracos.
Envelhecer talvez seja aprender a conviver com eles.
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