a carta cosí inifinita (rascunho)

É que se passaram dez anos e eu não soube te dizer tudo o que sentia. Talvez se eu pudesse viver tudo o que vivi, entendendo como dividir a vida sem tentar carrega-la nessa concha gasta, te falado como as coisas aqui desandaram e ter decidido a dois. Talvez se o amor não me assustasse tanto. Talvez se me chamassem de feliz ao invés de forte. É que eu me acostumo, mas eu não te esqueço, foi o que eu ouvi na rádio enxaguando as vasilhas de um jantar que poderia ter sido nosso, mas não foi. Talvez eu não te esqueça, porque é você minha jaula e eu sigo sendo esse animal ferido preso em tuas mãos que me amaram quando eu não podia suportar o amor e eu sinto muito e sinto tudo o que deveria ter sentido quando nos ligamos por uma última vez. Pois é. É que eu fui feliz ao seu lado, sem saber o que fazer com a felicidade compartilhada, fingia ser minha e só e assim te magoava sem perceber. É que eu deveria ter aprendido a ser vulnerável ao invés de aprender a dar conta de tudo. No malabarismo do sentir, me agarrei ao orgulho como um escudo contra a tristeza, sem perceber que ela andava comigo protegida também. Foram dez anos e eu deveria ter te contado que atravessaria o mundo, te abraçaria suado, te beijaria tranquilo, seguraria sua mão forte, te olharia fundo no olho pra dizer que eu tenho medo, mas tenho mais amor. Eu só não sabia que isso era possível, como eu sei hoje.

Eu sorrio, recordando das duas crianças descobrindo os percalços de estar junto, das risadas, em como ser tão diferente poderia ser tão bom. É que fomos aquela pele solta na borda da unha que só dói quando lembramos que existe e que sempre existe na borda da unha. 

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