O luto é esse buraco na terra onde se planta a saudade que, pra germinar, precisa romper e na dor brota pro mundo se acalmar.
Saudade flori de vez em quando, chove lágrima, e sem aviso prévio gira feito girassol em busca de calor e luz e dai vem a dor bonita que só o luto de quem amou pode fazer nascer.
Escrevo sobre você porque ainda não sei o que fazer com esses sentimentos que ficam a espreita do seu nome, morando nas minhas lembranças. Hoje, depois de muitos dias, as lágrimas desceram, sem qualquer aviso, ao me deparar com o natal de dois mil e dezenove em que você dançava desajeitada e eu ria e pensava que realmente se precisa de muito pouco para ser feliz. Recordei da irritação que eu sentia com seu excesso de zelo, dos olhos grandes, o cabelo pintado, da voz no telefone preocupada, procurando sempre uma maneira de estar presente.
E você estava.
No meu nascimento, nas primeiras palavras, nos aniversários, no primeiro contato com a água do mar, pra me ensinar sobre a puberdade e incentivar a usar o biquíni sem me preocupar com as estrias. Cada registro nosso é seu, em tudo que vivemos tem você e, de repente, não tem mais. Eu não sei o que fazer com esse vazio, mas sigo tentando, como você sempre incentivou.
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