vícios

 Escrever equivale a fumar. A sensação da tragada e de escrever uma frase. O alívio e a vontade de mais. O desespero para aliviar qualquer sentimento que esteja difícil demais de sentir. 

Desde que permiti que outras pessoas me leiam, escrevo menos e sinto que escrevo mais superficial.

Quanta coragem precisa para sentir, falar e escrever? Para deixar doer.

Ando recordando muito. Dos dias infantis, das gargalhas, de quantas vezes precisei cuidar porque sabia que não tinha ninguém cuidando dali. Me permitindo desconhecer um pouquinho de mim, com consciência. Abraçando as incertezas e lidando com as perdas sem antecipá-las. Vez ou outra o perdão surge misturado com outras coisas, como um gosto de terra misturado com o ferro fundido do sangue. é meu e não é. é de dentro e de fora. faz parte de mim ainda que seja do outro. é engraçado como tenho sonhado tanto. e desses, alguns realizados. deixado a criatividade, o cansaço, as inseguranças, a intuição fazerem seu papel em mim.

sonho. me sento a beira do precipício que sou. a consciência. e dele vejo o fundo, vejo o céu da minha cabeça, sinto as águas dos seus sentimentos. ora boio, ora mergulho. ora piso na terra da minha cabeça para enraizar. então encaro o abismo do céu da noite em minha cabeça. percebo que nunca amanhece aqui. grito para o fundo das sombras do abismo, mas não há eco aqui porque eu preencho o espaço.

eu quero ser boa, mesmo que isso implique em as vezes ser ruim. e eu quero ser amada, mesmo que isso implique em as vezes desamor. eu quero perdoar, mesmo que isso implique em as vezes guardar rancor.

acima de tudo quero escrever, mesmo que isso implique em as vezes me exaurir as palavras. e quando exauri-las eu quero descansar, mesmo que isso implique sonhar que me sento a beira do precipício que sou.

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