insights

Sim, querido universo, eu entendi que a vida existe dentro do espectro do tudo ou nada que eu me impus. Levaram anos, alguns sons, muitas imagens e um vocabulário rico em palavras de tantas origens para eu abraçar o agora.

Eu tô ouvindo Tulipa e de alguma forma estou feliz em entender, neste momento, que os dias ruins também passam, como a chuva que insiste em cair lá fora vai passar, também.

Eu fiz chá de hortelã, porque o cheiro de hortelã fresquinho me lembra a casa de vó. Aquele lugar em que a minha criança era permitida a ser criança. Onde o perfeito não habitava, nem o medo ou as cobranças. Existia ali apenas os desenhos e o cheiro de comida com amor.

Acho que depois de muitos e muitos anos de vida a gente aprende a farejar o cheiro de quem precisa da gente. Vovó me amava porque eu era eu e mais ninguém. Porque eu ouvia suas histórias e a gritava quando começava Terra de Minas e ela me explicava cada cantinho que aparecia ali. Porque eu não tinha medo em dizer que não gostava de pescoço de peru e ela me achava chata pra comer porque eu catava as cebolas e ria seu sorriso sem dentes quando eu lambia o prato.

Eu precisei de tantos anos, sonhos abandonados pelo caminho, algumas crises de ansiedade e um dicionário emocional para encaixar todos os cacos de vidros e começar a enxergar meu vitral.

É que caleidoscópio é mais bonito que espelho limpo e as vezes não se enxergar já é se reconhecer.

O fracasso é privilégio de quem tem oportunidades. Desaprender o que se moldou nas intempéries da vida é mais difícil do que se parece. Como se remove o alicerce no qual construí minha casa?

Venho aprendendo de alguma forma que ainda não enxergo que ser triste faz parte de ser feliz, assim como aprendo que de fracasso em fracasso se constrói o novo.

Aprendido a não abandonar quando o impulso vem do medo do desamparo. Me recordando diariamente que sei muito bem ser sozinha, o que me falta é aprender a ser com o outro e que é no mistério que habita o espaço entre o tudo ou nada em que vivemos, diariamente.


Lubrifico as cordas vocais. Este é o início de ser quem sou.

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