tudo hoje me levou a revisitar memórias, sonhos, desejos, medos, perdas, saudades. Daqui debaixo, do fundo de mim, passo em frente a cada coisa que estou deixando pelo caminho. Ouvi uma frase durante um vídeo que contava sobre os aspectos astrológicos do eclipse que ocorreu hoje - lua cheia em peixes - que dizia que a gente sofre pra desapegar até do que a gente não quer mais. Penso quantas vezes enrolei para descer com o lixo de casa por pura preguiça do caminho até a lixeira ou esperando acumular mais coisas - mesmo que fique muito pesado e difícil de ser carregado - para fazer uma viagem só. Ri enquanto pensava nas tantas vezes que carrego por ai verdades sobre mim que não me cabem mais pelo simples medo de não saber o que fazer com as mãos vazias e pelo desespero de não saber como serei reconhecida sem aquilo que eu achava que me definia como eu.
Recebi um carinho da vida em forma de mensagem, com uma música e um texto que tinha uma frase assim: "A necessidade de sonhar" e que me contava de um podcast que havia acabado de ouvir, também. Junto da mensagem veio uma música "A balada de Tim Bernardes" que já ouvi algumas vezes na minha vida, mas que naquele momento ela teve outra atenção.
No meio do violão dele, das minhas lágrimas, dos trechos do podcast que ressoaram em mim me veio a lembrança da minha avó tão nítida, com seu cheiro de tempero, andando pela cozinha até o quintal pra pegar chá de hortelã pra eu levar pra casa e cuidar do meu estômago.
Lembrei do ora-pro-nóbis aqui de casa que passou os últimos três meses seco, sem folhas, sem flores, sem qualquer sinal de vida e que agora está florido, ramificando e crescendo.
Lembrei quantas vezes eu cheguei ao fim e fiz deles recomeço e que neste momento não haveria de ser diferente.
Lembrei da minha tia que se perdeu no horário conversando com a vizinha e não fez o almoço em um dia de prova importante para mim e para meu primo. Então, foi para a cozinha e preparou o que de mais rápido poderia preparar: um macarrão com molho de tomate. Quando meu primo e eu entramos no ônibus vimos nosso rosto manchado de colorau. Neste dia, aflitos sem conseguir tirar a mancha vermelha do rosto, rimos muito; em pé dentro de um ônibus lotado. E essa ainda é uma das minhas memórias favoritas sobre ela.
Lembrei de quando decidi me mudar de cidade com tanto medo dentro de mim, mas também tanta certeza de que este era o passo que eu precisava dar. Da despedida aos prantos na porta de casa, abraçando minha mãe sem a menor ideia de como seriam os dias a partir daquele momento. de como uma vida cabia dentro de um carro quatro portas e uma viagem de 6 horas, da sensação de olhar o apartamento vazio com o desejo no peito de transformar ele em lar.
Talvez essa seja mais uma de minhas despedidas. Dizem que é disso que eclipses lunares são feitos. Ainda não descobri se é uma despedida de mim, da minha casa, do meu sonho ou de, na verdade, um pouco de tudo.
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