Cultivar o amor, a fé e a morte.

Não apreciamos a morte, não aquecemos a fé e não acreditamos em milagres. Somos mesmo tão limitados. Me sufoca os medos de uma humanidade que não teme o pior pesadelo: seus próprios erros. Desde nosso nascimento estamos condenados a errar, mas nem sempre preparados para a consequência.

Meu corpo doí depois de um dia atípico mas minha mente se mantêm no ápice da insanidade e é isso que me mantem viva. Olho para uma cruz em aquarela e o sangue aos pés dela parece escorrer de mim, mas não. Uma coroa de espinhos está encaixada no topo da cruz -de lado- como se todo o cenário a entristecesse também, eu choro. O pó do chão se torna barro com minhas palavras e eu lembro do milagre em que me agarro com maior frequência: uma cura, uma visão. Percebo o quanto sou cega e me apego a meu consolo: um dia terei meus olhos desvendados.

Me lembro de uma nova realização uma mulher curada por manter sua fé aos pés de uma lareira, aos pés do único fogo vivo.  Ela recebeu um milagre por que ela cultivou fé em coisas que as pessoas não conseguiam entender. Temos a fraqueza de ter como verdadeiro o palpável e por isso peço para que sejam desatadas todas as vendas. Por que o previsível não traz o necessário.

Um homem morto. Lágrimas de amor. O amor está em falta. Está. Como é linda a morte, mas também como se insiste em adiantar sua chegada. Não há erros, nunca há erros. A dificuldade de entender o que não sabemos que nos leva ao horror e ao receio de aceitar. Há males que vem para o bem. Eles sempre são bons se terminaram em bem. Mas Ele sabia, sempre soube e Ele ainda insiste em cultivar o amor, a fé e a morte. Por que a partir da morte passamos a viver. Eu sorrio: quero morrer quantas vezes forem necessárias.

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