A última que escrevo.


Vermelho e um mar. Seria minha definição. Eu não consigo parar de tremer e ter febre constante, emocional talvez. Uma música martela forte enquanto choro. Minhas lágrimas cantam, enfim descubro e o preço para escutá-las é alto e árduo. Um sufoco engole minhas palavras e me arranca bruscamente daquilo que construi com delicadeza: um forte. Uma súbta dor de cabeça me apanha enquanto sinto me afundar na cama até ser parte dela. Uma mancha em meio aos lençois, sinto que me tornei. Você que está agora me lendo em palavras ocas, consegue visualizar meu estado? Suponho que não. Nem eu me imaginaria assim.

Meus sentimentos vão se desbotando até peder o vivo de suas cores. Perdi tudo. Minha morte, minhas cores, meu meio termo, meu degradê. Enquanto me recoponho para ser aplaudida pelo mundo me livro do meu vermelho limpando-o com uma toalha velha e recuo com as lágrimas implorando pra que elas se evaporem. Fiz-me mar. Pela última vez- penso.

Por que as pessoas insistem em definir cores como pedras preciosas, por que insistem em definir olhos. Somos limitados e incompletos pra isso. Somos humanos demais. Os destroços de um resto de alma e um espírito em reconstrução. Inspiro fundo até sentir que meus pulmões podem estourar e solto o ar como quem aprecia seu aroma. Cheiro de quê? Eu lembro dos seus olhos que não eram pedras nem metais; eram mel e quase sinto o gosto.

Sinto-me aliviada e não preciso mais sorrir por educação. Gargalho por ter vontade e o estímulo é o nada. Me esvaziei de você. De novo. Percebo que estou me acostumando com os pontos finais e os prefiro ao invés das vírgulas desonestas e trapaceiras. Pontos finais são verdadeiros, vírgulas não. Aprendi assim; com a morte. Aprendi com a morte a não ter medo de morrer e a apreciar meu fim de céu. Já encomendei a tinta para pintá-lo quando chegar a hora. Compro tinta todos os dias, afinal morro sempre. O que tinha pra ser feito aqui, foi. O que não precisava foi também. Afinal, tudo se vai. Tudo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

felicidade sóbria

fazia tempo que não sentia os pensamentos correrem livres entre meus olhos, por dentro de minhas narinas, passando pela minha boca, atravess...