Um anjo, uma carta e um poço


Antigamente eu me encontrava nas palavras de um anjo da guarda e em cada letra lida de uma carta universal parecia, na verdade, uma carta direcionada a mim. Mas isso foi antigamente.
Por que eu não consigo mais me encontrar em meio àquelas lágrimas que eram lidas com sofrimento e verdade; enfim, eu não tenho lágrimas. Não mais. Meu anjo, por favor, me reescreva e me refaça em uma carta em que eu seja o centro, eu preciso tanto disso! Eu preciso me encontrar nas suas frases manchadas de esperança, por que eu sei que você não desistiu de mim. Me perdoe, me perdoe por tentar te fazer duvidar tanto quanto eu duvido. Eu realmente não deveria querer isso de você.

Eu sei que chorou minhas lágrimas e sentiu minhas dores, mas não desejo que esteja anestesiado como eu estou. Sinto falta do nosso sorriso. E de quando me contava dos meus planos que se faziam seu também. Eu nunca te abandonarei, foram as palavras jogadas pelas suas asas ao me carregar, e ainda sinto o gosto doce e isso quase me faz sorrir. Quase. Você me diz palavras tão banais e me apego a elas por que estou naufragando.

Eu queria te pedir pra não me abraçar mais e me fazer protegida. Mais uma vez te peço , me perdoe! Por que eu tornei seu lazer um cansaço e cuidar de mim te causa insônia, por que eu não tenho dormido. E quando for transbordar, lembre-se de transbordar por nós dois, por que eu me sequei. É eu me sequei.

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