Um desconhecido, eu animal e um assombro.


A lua me sorriu. Um sorriso minguado. Não entardeceu laranja. As nuvens se arrastaram pesadas, carregando meu enigma pra longe. Afinal tenho tantos pensamentos no decorrer do dia que me inundam de inspiração e mâos trêmulas por palavras, procuro pelos olhos prateados derretidos e um óculos simetricamente feito ao contorno de seu rosto suave e grave. Entre os livros expostos à pressa e desapego procuro por um Sherlock Holmes perdido, as nuvens o levaram, entre ruas e faróis, entre casacos e a brisa.

É possivel afinal conversar pelo olhar? Sinto que sim apesar de nunca ter confrontado seus olhos. Uma risada explode enquanto escuto palavras borbulhando e durante o dia nossos assuntos se aprofundam até que sabemos: conversamos através da alma. Não sei se o certo é subir ou descer o rio ou se o sul é mesmo o norte ou foi invenção, mas descrevo com cautela e minimalismo: um esporte, um moletom, um óculos, um tênis e, meu favorito, um livro. Eu entendo nossa amizade e peço a Deus uma ousadia controlada, sou tão orgulhosa a ponto de abrir mão do meu futuro? Eu nunca consegui lutar, nunca fui forte e nunca me importei.

Eu sou camaleoa transmutada à meios e espaços vagos que me acomodem com conforto. Eu sou adaptada a aglomerações, principalmente, de emoções. Meus versos são pertinentes em não me abandonar e não consigo transportá-los para o papel, me sinto enfim vencida. Mais um texto escrito sem a intenção de ser.

- Os seres humanos me assombram.

Ao passar por uma criança no sereno da noite, rindo, com os pés no chão imundo por pegadas de quem retorna ao lar e meus olhos se marejam. Um vulto em meio a noite pálida. Um descaso.

-É. Me assombram também. Mas a esperança é verde.

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