Ei Edu, sei que tem muito tempo que não te escrevo mas quando estava prestes a dormir essas palavras entalaram na minha gargante e eu perdi o ar. Levantei sonolenta e cambaleei até o papel e caneta mais próximos pra te escrever os resíduos de uma carta.
Queria começar te dizendo que andei pensando muito sobre a falta de alguém e começo a achar que quase sempre ela pode ser traduzida em orgulho. Mas não sei se é o meu caso. Eu sinto falta Edu, da sua inteligência, sua força e seu carisma; sinto falta do seu medo e até da sua imperceptível arrogância - mas a coisa que sinto mais falta é a sua fragilidade. Recordo com esperança das suas lágrimas calmas, ninguém seria capaz de chorar assim; nem uma mulher conseguiria se expor tão bonito e eu admiro e me encanto com essa sua paz de se entornar. É o que eu mais sinto falta. As pessoas daqui se esqueceram como isso é bom Eduardo, eles precisam te conhecer e saborear suas lágrimas tão bem alimentadas. Eu sinto falta do seu sorriso também e do som da sua risada. Os seus opostos são o que mais te marcam: chorar e rir. Eu sei disso, por que esse é o seu dom Eduardo: ser transparente e ser calmo.
Remexi hoje nas minhas cartas velhas e sua letra borrada no papel amarelo de tempo. Esse, nunca foi ao nosso favor. Fiquei remoendo e admirando nossos momentos, nossos ápices e luxúrias. Algumas noites atrás meu coração apertou, agora eu sei que foi por sua causa, e eu pedi a Deus para que toda a luz elétrica fosse engolida; nunca tinha visto céu mais pintado do que aquele que se estendia sobre minha cabeça e que eu tentava tatear com os olhos.
Sabe Edu, sinto tanta falta da sua composição -seus personagens e histórias- sinto falta das suas mentiras tão verdadeiras, quase me faziam suspirar. Achei dentro da caixa aquela foto corroída . Me falaram hoje que o passado é relativo e quando pensei em você eu precisei concordar: você é tão atemporal. E estou frustrada nesse exato momento por que eu perdi todas as orações bem articuladas que venho planejando a meses colocar nesse papel pra você.
Eu tenho sonhado Edu, como você disse um dia: eu tenho essa capacidade. Afinal, é bom sonhar com mentiras? Por que tenho estado em lugares e com pessoas que não me pertencem e por alguns até me deixo cativar e quando acordo me arrependo por isso. Se você estivesse aqui saberia me consolar dos meus devaneios. Pensei até em começar a escrever um romance e você seria meu narrador. Sua voz ainda é tão recente e seus contos ainda martelam em meus ouvidos e quase me ensurdecem.
Bom, me disseram que é bom transpor a pele e eu te desejo isso e mais: desejo que se evada em pássaros selvagens.
Com o amor que ainda me resta, Lívia.
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