Jardinagem e dragão.


Eu me frusto todas as noites. Quero escrever sobre as coisas que penso antes de dormir e acordo sem saber e quero escrever também sobre as coisas que eu vou esquecendo ao dormir e acordo vaga. Acordo oca, para que o dia me faça a partir de suas vontades e para que a noite eu transborde e esvazie. A única coisa que eu me lembro de ontem é uma flor e seu jardim e lembro que a flor murchou e alísios levaram suas pétalas para adubo de um outro jardim. Será? É algo mais ou menos assim. Não posso afirmar - nunca - nada que eu escrevo antes, agora ou depois. Naquele momento era verdade, mas o momento passa enquanto escrevo e ao fim do texto só escrevi mentiras. Mentiras que em segundos eram verdades e não são mais. Assim como a flor que era viva e em tempo secou, murchou e morreu. Passou - o quê? Não vi.

Ultimamente venho me interessando por jardinagem, por que as flores precisam de cuidados únicos. E escrevo sem metáforas, por que as palavras são o que tem que ser. A flor não é um amor, uma amizade ou sentimento frágil. A flor é a flor. A flor é o que tem que ser, o que nasceu pra ser e morrerá sendo.  Flores tem espinhos de que nada servem e precisam de proteção. Mulheres não são flores também. A não ser pelo perfume, mas comprado. Acho que mulher é forte demais pra ser uma flor e Deus sabia disso quando as criou. O erro foi do homem - raça humana - mesmo. Homens - machos - deveriam ter nome de flor e não mulheres. Pra mim, mulheres são estrelas. Certo era Manuel Bandeira que percebeu logo cedo e sem ajuda da ciência, só palavras.

Enfim, li sobre dragões essa semana também. Foi um pouco confuso, mas foi aquela confusão que se quer tomar pra si e ninar nos braços. E passei horas a fio me perguntando se um dia algum dragão me visitou e eu deixei-lhe escapar do meu olfato pouco apurado. E daí veio a minha vontade de jardinagem. Eu poderia plantar  árvores frutíferas, flores aromáticas e pintá-las em quadros. Enfeitaria a casa e ele viria. Eu sei que viria. Por que nem o mais forte dos dragões resiste a uma boa jardinagem. Essa coisa de escrita é complicada demais e doí. Eu acho que a jardinagem é uma espressão de si que é o oposto do que deveria ser só que sem a dor das palavras. Um espinho ou outro talvez, mas nada que uma agulha não resolva.

Logo termino dizendo, se alguém souber onde posso aprender a plantar, regar e colher ou se sentir o cheiro de dragão pela casa, descendo as escadas e purificando o ar me avise. Estou começando desde já, plantando um feijão no algodão, por quê brota rápido e faz bem a alma. E ao ego.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

felicidade sóbria

fazia tempo que não sentia os pensamentos correrem livres entre meus olhos, por dentro de minhas narinas, passando pela minha boca, atravess...