Estar diante de sentimentos passados em uma conversa que terminará em crime. O choro embutido na voz de uma criança e aquela sensação de matar a vontade de comer doce e em seguida precisar de água para matar a sede.
-Você é o constante doce na minha boca. Aquele doce enjoativo e melado, que preciso comer com um copo d'água ao lado pra te manter aqui.- explico-lhe compreensiva.
-Você é a água que eu bebo quando a vida impõe doces a mim, é você que me faz aceitá-los e até saboreá-los.- Ele retruca numa tentativa vã de expor seu amor.
Não sou sua água garoto, posso ter sido algo mais doce do que o doce que a vida te impôs e anulei o sabor amargamente enjoativo em sua boca, por que era eu mais cansativa e imposta que o doce viver. Nem você é o meu doce mais doce que anestesia o sabor passado, entenda!
O doce das lágrimas salgadas, o doce do amargo da vida, o doce de estar cansada de ser moldada no calor. O calor de fornalhas monstruosas e diárias.
Não quero ser sua água, disse ele por fim. Mas peço que não seja meu veneno. Ou meu remédio em dose errada. Só quero que seja o que eu preciso, e você o é. Mesmo que não saiba. Mesmo que não queira ser.
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