Flores.
Tua voz de camursa camuflando os cristais cravados no coração e contemplando as cordialidades crispadas na crista da onda.
Eu não nasci para ser algo simples, mas tenho uma necessidade escandalosa de apreciá-las, até o fim. Como as flores que não plantei e que desabrochariam em setembro. O suor de um cansaço exposto e um sorriso por estar comprometida e (finalmente) amando o que se faz.
"— Sou uma flor de asfalto que arrancas à força. Corta, amassa, desfolha, sufoca, mata e esconde sorrindo dentro de um livro ."
Arrancou meus espinhos e folhas, minhas petálas podres, para que pudesse morrer intacta a ponto de me eternizar.
"- Achei que esse verbo já não te deduzia. Retornou à linhagem do laranja?"
Os verbos e susbstantivos são feitos de antropofagia e neologismos. As cores provém do magenta, que nunca está em nada. Se entregou para estar em tudo. Eis o que é ser memorável. E manter-se vivo é a coisa mais arriscada que se faz na vida, é o pico de adrenalina e o suspiro de alivio. A morte, o prêmio mais alto e caro conquistado pelo ser humano, o imerecível mas alcançável.
"-O cheiro de terra molhada a sete palmos, narinas a dentro, parece um jardim selvagem de flores que anseiam ser descobertas."
"— Sou um jardim de flores selvagens no asfalto onde carros passam, atropelam, correm e matam. Deixando um ramalhete frágil evaporar."
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