Na varanda.


O gosto por músicas que tragam os sentimentos à pele até que sua flor se abra. Os sentimentos embaralhados, confundidos no espaço do querer. A lua em cima da casa ofuscada pelo brilho da lâmpada e seu choro embalado pela voz da Tiê. Sentada na varanda, com o frio sendo parte de mim, estremeço como se alguém tocasse meu pescoço. E o arrepio me sobe a espinha adocicado. Um estardalhaço feito a partir de cacos no chão. Não, eu não mereço solidão. Meus erros são peripécias da vida e de olhos fechados deixo que a esperança seja regenerada, ao invés de pedir por cicatrização.

Eu preciso te dizer, que o que resta a dizer na hora da partida é: fique. E que o rio sempre corre para desaguar, assim como a vida segue pra algum lugar. Somos dois sangrados por corte de papel, papel de bobo ou confusão. Então fique firme por que um dia tudo irá estancar e você poderá ser o que quiser. E o que o olho não vê, está por nascer em algum lugar. Seja forte quando não der pra ser, por que o não querer sentir te impõe o prazer de doer. E por um tempo, te garanto, essa será a melhor sensação.

Deita teu corpo no meu colo e se embale na rede trançada, por mãos calejadas  A nossa hora, é a hora que quisermos ter no espaço que escolhermos. Mas preciso te contar: gostei tanto da noite, que pretendo ficar, por aqui, pra sempre, talvez. Então, entrelaça teus dedos nos meus cabelos e troquemos a posição. Eu deito meu corpo no teu colo e espanto a solidão. Na varanda de um mundo meu, em uma casa a beira do abismo. Talvez minha varanda seja isso: um abismo.

E eu tô pra te escrever a um bom tempo, mas sem ter inspiração. Você já não é o suficiente para que minhas mãos queiram transpor para o papel.

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