Ela só era exausta. Nascera assim e por mais que tentasse, sabia, não passaria disso: uma mulher de semblante gelado e olhos vivos com a boca rachada de um frio interno. De mãos pequenas e desajeitadas carregava o mundo com um abraço desesperado de perdão e a pele marrom desbotada deixava explícita a ação do tempo desgastante. Sua cor, reflexo da alma velha que carregava como uma casca protetora.
Sempre certa de suas decisões e com palavras articuladas dentro da cabeça; pensava em tudo por precaução e sofria todas as dores possíveis. A surpresa sempre fora considerada inimiga de seus passos traçados antes de pegar no sono. As perguntas nunca se contentavam em ficar em sua cabeça e sempre escorriam pela boca atingindo a alguém.
Pincela as palavras em aquarela de sonhos bons encubados.
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