10 anos mais tarde


Você, babe, sempre gostou das minhas utopias e da forma como eu vivia uma vida mistificada. Gostava de como eu contava meus sonhos e quando me perguntava como eu iria realizá-los e eu nunca sabia te responder. Mas sempre tive certeza de todas as minhas viagens, lugares, amigos, empregos, estudos. Sempre soube que eu conseguiria tudo que vinha sonhando desde que descobri o significado de sonhar.

Um coração em pedestal de vidro, almejando uma loucura por vida, quantas vidas vivesse. A espera de um amor por país e a certeza de que esses seriam os melhores postais de viagens. Eu sempre me senti nômade, amor, por que nunca pertenci a nenhum dos lugares. Nunca pertenci a ninguém. Sou uma, cheia de pessoas, países e, principalmente, cheia de mim. Sou apegada ao fato de me desapegar facilmente e em silêncio. E naquela noite, que eu soube que você não fazia parte dos meus planos, foi a primeira vez que partir sabendo que estava deixando pra trás algo que era meu por direito e por amor. 

Sempre entendi que as coisas mais simples são as mais importantes e por isso tenho caixas espalhadas pelo meu apartamento, abafado. E só agora entendo que você é a cura pra essa minha saudade de tudo que ainda estar por vir. Souvenires espalhados pelos móveis antigos, cada viagem um pouco menos de mim, mais de você.  Meus móveis estáticos, abandonados, rústicos estalam na noite vazia, respiram alto, fadigados do meu descuido e abandono. Fico pensando se você fazia barulhos assim, por sempre me empolgar com tudo e ficar horas a fio te falando daquilo que nunca te pertenceu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

felicidade sóbria

fazia tempo que não sentia os pensamentos correrem livres entre meus olhos, por dentro de minhas narinas, passando pela minha boca, atravess...