Faz tempo que não tenho o sentimento da escrita. Tenho pensando tanto em motivos políticos, contextos históricos, versos bonitos. Senti um pouquinho de sangue arcaico percorrer-me a veia. Há dias e dias não tenho palavras para chorar; ou sorrir.E qual o nome que se dá a sensação de estar pelo avesso? E ainda sim se manter feliz e viva? Por que o nome é a alma, o nome descreve, sintetiza. Os nomes são a classe gramatical mais importante. Por que um nome basta para que tudo se entenda.
Tenho andado tão ocupada com coisas de adultas que tenho me esquecido de ser criança e ser criança é o que sei fazer de melhor. E não tenho medo de admitir isso! tenho medo e de ficar louca (como adultos fazem) e me achar normal, madura, experiente. Pois afirmo: não cabe em mil adultos toda a experiência e maturidade de uma criança. Não cabe em mil homens com doutorados a ingenuidade esperta das crianças, suas perguntas descabidas, sua pureza matinal.
O sangue arcaico/barroco/romântico/realista as vezes se mistura em algum capilar ou arteríola e me causa tamanha agitação. Por que quero tudo em um texto só; falar do meu amor por meu país, quero expor locus amoenus que só existem em mim. Ser bucólica, uma chantagista barata, eterna apaixonada. Deixar a tristeza me inundar, criar versos nostálgicos como fazia Drummond, chorar pelo navio naufragado de Cecília Meireles e deixar que o meu seja casa de algum bicho no fundo do mar também. Quero ser Machadiana com minhas vírgulas excessivas e escrever a realidade nua e crua.
Quero ser todas as eras que cabem em mim, todas as crianças em uma só.
Sou uma pérola irregular pelo prazer de ser.
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