Carrossel


Não creio que o acaso seja acaso. Para mim o acaso só é inconsciente. Uma vontade inconsciente de encontrar alguém, comprar alguma coisa, pertencer a algo em si. O acaso não é mero acaso, você sabe de todos os caminhos prováveis ao fazer escolhas e sabe que o acaso pode acontecer.  Logo o acaso é consciente também, dá pra entender?

O acaso é só uma palavra ambígua usada ao acaso.  Não é por acaso que você frequenta aquele restaurante onde uma pessoa que você (supostamente) não quer encontrar frequenta.  Mesmo que você não se dê conta, os caminhos que você segue sempre tem um propósito em si. E quanto mais inconsciente, maior a vontade. Daí fico me perguntando: qual será meu domínio sobre meu eu?
 E logo me respondo: nenhum.
Não tenho controle sobre meu inconsciente e  -logo ele!- tem o acesso irrestrito sobre minhas vontades mais profundas. Daí me pergunto: sonhos são vagos?
 E tenho por concreto que não.

Logo durmo, sonho o acaso e a liberdade dos meus pulsos feridos pelas algemas da consciência. Sonho com o dia que o acaso será acaso e o sonho apenas loucura da alma. Lugar onde não haverá vontades, medos ou esconderijos. Um lugar onde posso ser inconsciente sem perder a noção dos infinitos que habitam em mim.

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