Estilhaço
Nunca esperaria uma traição de você. Estaria preparada para qualquer faca que entrasse pelas minhas costas, desde que não fosse cravada pelas suas mãos. Agora eu já não sei se te conheço como pensei que conhecia Cristina. Você me fez duvidar da minha credibilidade e da sua confiança; faz-me duvidar das minhas ações, palavras e não sei se sou quem penso que sou. Apesar de todos os impasses, Cristina, você me fez perceber que não quero ser tudo isso que eu esperava e que, na verdade, sempre fui tendenciosa para o lado oposto; só estou cansada de ser moldada pelas mãos de estranhos. A fadiga das minhas tentativas – frustradas- de ser quem você queria que eu fosse; como você era. E só agora -meu Deus!- vejo que você sempre foi o contrário de tudo o que eu quis. Só me cansei das suas conversas direcionadas a você, seus constantes adjetivos, seus pertences sempre tão melhores que os dos outros. Bem, no fundo, no fundo em algum ponto de quem você era dentro de mim, tudo o que eu idealizei foi verdade, mas agora está morto. Como estão mortas as flores que cultivei.
Os homens perderam a confiança dos pássaros e por muito tempo me senti culpada por isso. Agora entendo Cristina, a culpa pertence a pessoas como você. Pessoas que não merecem a confiança de pessoas. E tenho a teoria de que pássaros são pessoas que perderam a esperança e finalmente recebem asas para se libertarem das podridões humanas.
Você e seu costume de ter razões nas suas falsas verdades, seu conhecimento tão abrangido e seu jeitinho de ser sempre a mais esperta. Suas mentiras nunca funcionaram em mim Cristina, mas eu queria acreditar que você era tudo o que você dizia ser e me faltou (sempre falta) coragem e amor o suficiente pra te desmentir. E agora eu finjo que não doí enquanto você me abraça e termina de marcar minh'alma com brasa; enquanto eu não consigo desencravar a faca que pende nas minhas costas, enquanto eu sorrio e te abraço de volta.
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