Os detalhes de um amor perdido


- Onde estão seus olhos, Eduardo? Onde estão os olhos que um dia disseram ver beleza em mim? Quando foi que os perdi? Que eles deixaram de pertencer? Que te tiraram de mim? Quis por muito tempo te entregar aquela carta que cobrava as respostas para todas as outras cartas que não te enviei e junto a ela estaria aquela flor murcha, que muito lembra nossa história.

- Alice, já não tenho ânimo para nossas melancolias, já se passaram anos que vivemos um amor desgastado. Meus olhos já não conseguem estar em você como costumavam, nem te amar da forma que amaram teus contornos, tuas cores e contrastes. Te pergunto eu: cadê sua boca que antes vivia a me recitar descasos? Cadê seus lábios sempre pintados que me tiravam o fôlego ao sorrir? Por onde andam aqueles beijos carinhosos que afagavam minha testa vez e sempre? Meus olhos foram engolidos pela sua boca sempre fechada; melancólica.

Então ela o deitou em seu colo, abaixou sua cabeça e beijou-lhe a testa franzida e os olhos dele se fixaram no dela e submergiram da imensidão dos seus pensamentos. Ele, lentamente, levantou suas mãos e acariciou seu cabelo, levando-o para trás da orelha e ela sorriu começando a recitar sobre o tráfego nas ruas. E voltaram ao começo.

-Você desperta os monstros adormecidos em mim. - Disseram um ao outro.

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