Sempre tive um sonho - como uma pessoa que não quer nada,
além de sonhos – de saber escrever crônica. Dessas crônicas que falam sobre meu
cotidiano e que então pessoas leriam e falariam: “parece com o meu cotidiano”,
mas que ninguém saberia escrever sobre por que só eu teria as palavras certas,
tá me entendendo?
Mais ou menos assim:
Mais ou menos assim:
“Acordei mais cedo do
que costumava e resolvi caminhar na orla da lagoa, até que vi uma capivara com
seus filhotes. (...)”
Então os leitores iriam encarar essas palavras e dizer: “Que
legal! Eu poderia ter acordado mais cedo.” Ou ainda “Olha, um dia eu posso ver
uma capivara com seus filhotes! Por que corro em volta dessa mesma lagoa.” Mas
todas essas pessoas sabem ao final do texto que ninguém teria o mesmo olhar que
o cronista teve sobre tal situação, então se apegam ao texto como se elas
tivessem vivido toda a narração.
Engraçado, essa coisa
de cronista; deve ser dom ou algum defeito de fabricação.
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