A uma ausente

Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te acusar... Houve um pacto implícito que você quebrou e sem me dizer adeus se foi para longe.

Acabou o pacto.

Acabou a vida geral, o comum consentimento de viver e explorar os rumos de incertezas sem prazo, sem consulta, sem provocação até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Adiantou a hora.

O seu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas. Pode imaginar algo mais grave do que o ato sem continuação, o ato em si, o ato que não ousamos nem sabemos ousar porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti, de nossa convivência em falas camaradas, simples apertar de mãos, nem isso!, voz modulando sílabas conhecidas e banais que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.

Sim, te culpo porque você fez o não previsto nas leis da amizade e da natureza nem me deixou sequer o direito de perguntar o porquê de ter feito; o porquê de ter ido.

(A crônica do poema de Drummond.)

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