A velocidade com que percebo as coisas me impressiona, por
que o fato de ver acontecer, sentir passar, deixar ir embora nunca me é sentido
à medida que acontece. Muito pelo contrário. Custo a entender que o que vi indo embora era apenas mais uma mudança que estava para chegar e as lágrimas que me
obrigo a soltar só entendem que devem cair tempos depois de eu ter aceitado como
as coisas são.
“Há um movimento feito
fluxo de rio que é a vida. O que passou não há de voltar por que as águas
correm em um único sentido e com um único propósito: o de desaguar no mar.”.
E o pouco tempo que vivo com aqueles a que jurei nunca me
importar é o que derrota meu escudo de solidão. O tempo que antes era vitalício
de repente parece sumir de vistas, escorrer das mãos e com leve sorriso na face,
me enfiar o punhal nas costas e logo acordo assustada por que sonhei que era
feliz. Desatinada com a sequência que chamamos de viver corro de encontro ao fim,
por que aquilo que foge do meu controle me traz desespero e o caminho para o
fim me desarrazoa ao contrário do próprio fim que traz sossego à alma
atordoada.
Sentirei sua falta mais que a falta de todos os outros
tentei dizer, porém logo você será algo que lembrarei sossegada ao sentar-me na
cadeira de balanço que fica na varanda e contar ao estar rodeada de crianças: “... e esses foram
um dos melhores dias da minha vida.”
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