Como se pudesse amar

De todas as formas que ousei falar sobre o amor, te confesso que sequer o senti interno; nem ao meus pude dizer que o deixei escorrer das minhas mãos, enquanto estagnada, no momento que descobri o seu significado, me assustei. Estava em pé diante dos seus olhos - que pareciam chocolate se derretendo ao sol - no momento que senti algo me assustar como se um fantasma passasse por mim. Descobri, também, naquele momento, as mudanças que o verbo amar implicaria na vida de uma pessoa que só tem olhos para uma e mais ninguém: a solidão assídua e calma que sereniza o coração ao atordoar as mãos com palavras esdrúxulas.

Descansei a alma no seu abraço de homem forte e protetor, enquanto me despedia dos seus olhos que transbordam paz e das suas mãos que remetem o mais próximo que soube do amor. Sim, moreno, suas mãos e seus olhos são o significado de amor pra mim. Nada que pudesse dizer me faria querer arrancar de mim a plenitude que a solidão me trazia, se não fosse dito com seus olhos negros ou suas mãos. Nenhuma das certezas que me incumbi de criar e tomar por verdades concretas me fariam querer estar menos em seus versos discretos de apaixonado louco incerto de amor.

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