Resposta à Carlos

Querido, escondi seu nome por precaução. Quem sabe assim, esteja comigo, também, o amor que insisto em querer te dar. Escutei as notas que me diziam todas as palavras que queria te dizer, querido. Por que sei que há em mim uma vontade mais que absurda de te amar, de descer desse pedestal de vidro que me colocou e beijar-lhe a face molhada pelas lágrimas que insiste em soltar. Meu coração está gelado, amor... Posso te esperar chegar com suas mãos quentes e esquentar-me a alma com seu abraço acolhedor? Não houve em mim - por sequer um segundo - a vontade de lhe abrir a ferida no peito que agora insiste em não cicatrizar e as palavras que preciso te dizer são: se eu tivesse dito as palavras certas, no momento certo, você estaria aqui.

Não me peça para ir de encontro a seus braços estendidos, vá para casa amor. A tempestade não pode me trazer de volta para você. Há em mim um egoísmo de te querer por perto quando não há solução para minhas crises de insônia. Me deitaria em seu colo e com suas mãos quentes acariciaria meus cabelos e eu me sentiria sua uma última vez... É o que sempre digo a mim mesma "uma última vez, Tereza. Prometa-me". Preciso te contar: me traio mais que qualquer outro ser, não me pertença, não se ancore em mim, pois estou prestes a desabar, a ser levada pela primeira brisa, primeira garoa e no orvalho já não estaria mais em mim, já haveria de ser arrastada à profundezas e distâncias.

Oh, Carlos! A quem eu quero enganar? Quem sou eu para te esconder? Te proíbo de se alicerçar em mim! Te proíbo de querer me pertencer... Ah Carlos, se lhe foi incumbido ao nascer, pelo nome que recebeu, em ser um homem livre que egoísmo seria o meu em te pedir para ficar, nem que seja por uma noite. Pois a eternidade será minha constante busca pela paz.  Sou fria amor, mas você é ipertecente.


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