Sigo tendenciosa ao caos, com mãos sibilando catástrofes.
Nunca soube gesticular os sentimentos que me trapaceiam nas palavras e penso eu que nunca saberei.
Nasci para ser mensageira, para ser indefinida, claustrofóbica e uma série de adjetivos (pejorativos até) que me intitulam...
Há em mim nostalgia, de todas as coisas que deixei passar, de todas as coisas que virão a meu encontro e das cores de textos atrás. Bom, as cores se foram ou se uniram a formar preto e branco branco e preto.
Não há laranjas, não há. Não há lilazes, não há.
E a cidade que é um espelho virado para o céu não reflete minhas estrelas.
E a mulher que tem um espelho no lugar do rosto já não imita minhas feições.
E a mão que antes trêmula escrevia insônias já não tem tempo para escrever
Pois dorme.
Tranquila e eterna
mensageira, claustrofóbica sentimental.
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