A medida de tempo

Ouço Silva como se não houvesse amanhã e quando dou por mim, percebo: realmente não há o amanhã. Ou o futuro. Ou o depois. 

Vivemos do agora. Do momento presente. Das palavras ditas. Das decisões tomadas.

O que me garante a eternidade da vida?

Se pudesse verbalizar a existência, gritaria: efêmera!

Bradaria aos 4 cantos, 7 mares, até chegar aos teus ouvidos em tons serenos de quem se despede. Em apertos no coração, como o abraço de quem não voltará.

E seus olhos se esvairão, como se escorre o tempo na ampulheta: feito areia. Seus tons castanhos furtivos que estagnam meus olhos paralisando o tempo no momento que se cruzam assustados, preocupados e felizes pelo encontro. E se desviam em milésimos de segundo.

E, não mais que de repente, aquela mísera fração de tempo se torna infinita e o efêmero se desfaz. E, não mais que instantaneamente, o eterno é palpável e indubitavelmente torna-se tangível aos sonhos que trago no peito chagasiado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

felicidade sóbria

fazia tempo que não sentia os pensamentos correrem livres entre meus olhos, por dentro de minhas narinas, passando pela minha boca, atravess...