Sobre as verdades não ditas:
Não houve troca de olhares, pois sabemos mais que qualquer outra pessoa que existiu, existe ou existirá: olhos falam mais que bocas. Os olhos serão nossos eternos trapaceiros.
Os móveis respiram fundo, transpiram juntos, com a gente, nesse eterno combate animado -inanimado em que vamos de encontro uma a outra e a eles, estáticos, nos lançando longe. E assim a vida se faz: encontro e desencontros. Os móveis serão nossas eternas pontes queimadas.
Queira ou não, as mãos evitam contato, evitam calor e se lançam numa era gélida de sentimentos trincados de frio, explícito: mãos geladas queimam o quente coração. As mãos serão nossos eternos cofres de sentimentos.
De emoções ressentidas, encolhidas, n'um canto vazio qualquer, para que não possam sair pelos olhos, em palavras e irem de encontro aos móveis como lanças afiadas, transformando a madeira poida em fogueira para que se derreta os gelos das mãos em abraços apertados e afagos. E tudo em sintonia, sincronizado - olhos, móveis, mãos - apenas para dizer: vencemos o orgulho.
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