As chuvas de verão começam pela cidade afora e tudo que eu
desejo para a segunda é que eu seja varrida por uma dessas tempestades. Talvez
-não mais que talvez- todo meu desalinho seja a ausência. A tempestade dentro
de mim ruiu no céu e me fez completa, mais uma vez.
Comprei apenas um ticket para o cinema. Me arrumei da forma
que eu mais gostava. Soltei o cabelo, o batom vermelho nos lábios fechados. Assisto
a sessão, canto e choro e, no fim, me levo para tomar um café (Benzadeus!) e todo o vazio some. Às
vezes tudo o que precisamos entender na vida é que viemos completos o
suficiente para sermos a nossa felicidade.
Há muito não leio mais Will ou Marco, nem mesmo as frases da
acrobata que nunca conheci. A playlist toca músicas que não ousaria tentar
cantar, aos poucos abro mão das palavras dentro de mim e as faço pele e
moradia. Eu sou quem eu sempre precisei.
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