De olhos marejados te escrevo agora.

Um dia falaram - e eu hei de concordar - que você escreve até em absoluto silêncio.

A forma que acende o cigarro e me olha profundo e lentamente repousa a caneca de café sobre o braço da poltrona. A sua sensibilidade para entender o mundo me assombra e a forma densa como o descreve e que por noites me fez enlouquecer.
De que?
De pura vontade de ter seus olhos para enxergar ao próximo e a mim mesma.

O que você desperta em mim? Senão são os mais profundos e antagônicos sentimentos e de repente me sinto - como você costuma me chamar?- hermética.

Acordo de madrugada e lá está você: frente ao vidro escuro pelo céu que precede o crepúsculo, a fumaça de cigarro preenchendo o ar estático naquele escritório que tem o cheiro seu. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

felicidade sóbria

fazia tempo que não sentia os pensamentos correrem livres entre meus olhos, por dentro de minhas narinas, passando pela minha boca, atravess...