Kallima inachus

Depois de tudo o que conversamos, talvez eu não devesse estar escrevendo. É que sei que no exato momento em que rompermos a barreira do som, romperemos nossos corações.

Este é um caminho sem volta. O caminho do dito.

De cada sílaba pronunciada com seus fonemas articulados, neste tom de voz melodioso de quem ama tanto a ponto de deixar de ser amor.

É que Letrux cantou que existe o amor depois do amor e eu me apeguei nesta frase por duas semanas sabendo que ela significava algo grande demais para que eu pudesse entender naquele momento, mas aquela verdade era minha como se nascesse junto ao meu coração.

É nela que me agarro, ao me descolar de você sabendo que há fins que são irreparáveis. E indomáveis.

O amor existe e algumas vezes doí, mas tantas outras cura.

E a cura pelo amor é a libertação.

Escorro tudo que sou entre os espaços que o medo deixa. É que eu localizei a ferida que dói e sangra, mas ainda não sei como estancar tudo isso e agora vejo a dor e o sangue que escorrem de mim.

Eu que um dia perguntei sobre o futuro certa que estava em paz pelo passado, me questiono: como vivi?

Talvez eu deva dar uns passos para trás, remover os sentimentos dessa rede de pesca que andei arrastando pelos anos e limpá-los para que possam ser reconhecidos.

Desato os nós da língua.

Desfaço do peito chagasiado.

Há cura para o incurável.

O amor salva quando não idealizado.


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