Eu tenho noventa novas palavras que antes me seguiam
escondidas entre becos e vielas. É que eu jurei ser forte demais para não
sentir, enquanto jorrava sentimento pelos olhos. Eu gosto muito do novo, porque
é onde me permito errar sem medo.
Comecei a desenrolar o fio bagunçado que é o viver e
relembrar dores guardadas a sete chaves. Eu acredito que toda história mereça
ser contada, porque todo o ser humano carrega em si o dom de transformar o
mundo.
Eu me fiz valente de tão medrosa e quando entendi que o
fracasso era um privilégio, fiz o contrato cruel de não me permitir errar e
assim enjaulei a alma.
Aprendi desde nova que toda oportunidade precisava ser
agarrada com unhas e dentes porque não saberia quando poderia ter uma nova
chance. A gente que nasce em um mundo de portas fechadas, ao ver janela aberta
acha que é sorte e assim fui me contentando com qualquer oportunidade que surgisse
pelo desespero de viver coisas que pareciam impossíveis enquanto me cobrava a
total devoção àquilo que me prestava a fazer, pois não haviam chances a ser
desperdiçadas.
Me quebrei pelo caminho, para me comportar onde eu não me
via, mas precisava estar e agora me questiono como me reconstruir neste espaço
que me permite florescer.
Como tiro das costas o peso que carreguei por tantos anos?
Revirei o mundo em desamparo, achando estar tão só que mais
que me bastar, eu deveria me esconder.
Fiz de mim meu tameion. Onde oro e choro, em solidão.
Encostando minha face sobre minhas mãos apoiadas nos joelhos que não levantam.
É que as coisas acontecem antes mesmo da memória. Como o dia
em que tive a primeira crise de ansiedade e, com quinze anos, chorei porque
achei ter perdido a prova da escola, às 3 horas da manhã. Porque me senti
nômade por uma vida, não só pelas mudanças de escola e casas, mas por não
pertencer aos espaços nos quais habitava.
Eu sou a vilã de mim mesma. Eu também sou também aquela que me salva.
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