Ainda não é tempo de colheita

Queria dizer que te perdoo mesmo que não exista um pedido de perdão.

É que tá tocando Caetano e meus olhos marejaram com as palavras de outra pessoa e eu pensei em você, mas não chorei.

Existe tanta coisa em mim que passou a existir antes que eu pudesse dar conta e eu ainda não sei dar nome. Porque dar nome é possuir e significar – como as Teresas e Carlos que escrevi em algum passado que me existiu.

“Tudo que existiu não inexiste nunca mais.” Foi o que Lorena escreveu na página 86 antes de um trecho da música do Rolling Stones que não sei cantar, mas tentei. O que existiu existirá para sempre. Como os cheiros, os toques, as trocas, os olhares silenciosos, as pontas dos dedos gentis que deslizam pelo braço, a voz rouca logo pela manhã. Depois disso não há o antes disso. Para sempre.

Tenho sentido tanta coisa que ando impaciente e cansada. Cansada de não conseguir explicar tudo que eu sinto o tempo todo porque não sei como dar nome. É o exercício da paciência. Ser impaciente.

Escrevo impaciente com as palavras que saem e que as vezes entalam em meus dedos, mas eu li tanta palavra bonita que meus olhos marejaram e pensei que palavras impacientes devem ter lá sua beleza. Pausei a leitura e impacientemente liguei o computador para te escrever que queria te dizer que te perdoo mesmo que não exista um pedido de perdão.

A verdade é que eu não perdoo. Ainda não. Sigo paciente com minhas mágoas.

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