rotina

Meus dias, muitas vezes, tem sido assim:

Acordo antes do despertador, escuto a gata reclamar porque estou me mexendo cedo demais. Finjo que não é comigo e espreguiço na cama. Às 5:27 da manhã sou grata.

Sigo o dia com uma pequena rotina de esconder as olheiras, preparar o café da manhã, alimentar os gatos e sair para o trajeto matinal de 15 minutos até o ponto do ônibus. Às 6:53 da manhã sou calmaria.

Passo o dia entre acenos, risos, vozes e vozes, cheiros de café, fritura, doces. Acertos e erros, tarefas, tarefas e tarefas. Às 14:49 da tarde sou potência.

Daí uma memória me escapa e chega a superfície. Como o dia que eu usei as meias da Ana Clara para ir pra escola e você foi falar com minha mãe. Às 16:03 sou pura saudade.

Perco o controle das lágrimas e preciso ir ao banheiro para respirar fundo.  Às 16:20 sou ausência.

Recolho o choro, lavo o rosto, coloco a máscara (que me ajuda a esconder o nariz vermelho) e sigo em frente. Porque a vida está aqui. Às 16:26 sou escolha.

De volta para casa, sou recebida com amor. Troco a água das vasilhas, sirvo patê e vou tomar um banho. Às 18:59 sou descanso.

A todo minuto sou a falta.

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