Pensei em dizer que ainda não sei o que fazer com as culpas que carrego e com os erros que cometo. Apesar de muitas vezes sobressair um pessimismo pungente de minha boca, trago em mim olhos que enxergam corações meio cheios.
O tempo que levo para dissolver o perdão se encurtou e se
antes demandava alguns dias tentando separar o que era meu e o que era do medo,
hoje já não conto no plural.
É esta vitória que celebro. No aqui e agora.
Me acolhi e me perdoei por não dar conta de fazer da melhor
maneira porque eu enxerguei que entreguei tudo de mim.
Eu não tenho medo de morrer. Tenho medo é de não viver e foi
quando me dei conta de tudo isso que consegui enxergar os fantasmas que me assombraram
por tanto tempo e vez ou outra reaparecem.
Pensei em dizer que eu não espero que você entenda a dor do
deslocamento e como foi viver tentando me fazer caber em tantos lugares que não
pareciam me pertencer.
Eu não espero que você entenda as micro agressões de me
mudar, tentando ter qualquer coisa minimamente parecida com uma realidade
distante demais.
Eu não espero que você entenda minha vontade de me afastar e
olhar o mundo de fora e descobrir onde foi que me perdi e como – e se – ainda
quero ocupar esses lugares doloridos demais.
Se antes enxergava os escombros e entendia que o grande ato
revolucionário é o querer, agora rejunto tijolos e construo caminhos e não mais
muros.
(...) sigo escrevendo
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