Sentei no bar e - finalmente! - verbalizei anseios e depois
me arrependi. Vez ou outra lembro de como Clarice falava sobre a solitude e a
paz que encontrava. Eu não tenho tido medo e isso me assusta. Logo eu, que
sempre fui aflita pelo mundo, me sinto entregando todos os pontos. Então, cruzei
o portão da minha casa e desatei em lágrimas, sem saber o que fazer com tudo
isso. O mundo não é pronto para afetos e talvez eu não esteja pronta para o
mundo e ando procurando em cada esquina os motivos que preciso para permanecer.
Tudo é tão frágil. Por um milésimo de tempo acreditei
piamente estar curada. O grande milagre. Aqui jaz uma mulher com corpo feito de
receios. Mas desatei em lágrimas. Porque eu me sinto tão distante das pessoas
das quais me senti próxima, me sinto tão errada por estar descrente, me sinto tão
apática e ao mesmo tempo habita em mim uma revolta juvenil pela qual nutro um
profundo ódio pois já não há idade para revoltas, apenas para recusas.
Eu me revolto. Mais me revolto comigo, do que com o mundo.
Porque eu deveria ter meus motivos para permanecer, mas não tenho. Então o
mundo deveria dá-los pra mim, mas não se importam. Me sinto perdida e
descolada. Encaro os olhares e me envergonho porque eu não tenho a coragem de
ser quem eu sou. Não mais.
São os detalhes e ninguém tem culpa. São os detalhes e não
tenho culpa também.
Preciso ocupar a mente com os outros... suas histórias, seus
anseios para esquecer de mim.
Eu não quero mais fugir. O que eu quero? Não sei.
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