Há de se ter o momento de reconexão. Se permitir sentir. O vazio. O estranho. Encarar as manchas dos móveis que antes ocupavam espaços dentro dos cômodos do coração.

Há de se encarar o incômodo em não saber mais quem se é e nem o que fazer com aquela marca que te lembra que algo ali existiu e nao existe mais. 

Há de se querer o novo. 

Mas antes do novo há o nada.

O abismo.

Há de se encarar o abismo com doçura.

E o medo.

Há de se encarar o medo da falta.

Permitir o vento assobiar por entre as janelas e as próprias palavras ecoarem dentro.

Então quando tudo for parte...

Há de se encarar o novo.

Repasso o passado.

Esmiuço as memórias.

As andanças, os dias de sombras na parede à luz amarela do poste da rua. A gargalhada alta até cair no sono.

Penso que era pra ter sido endurecida pela vida.

Desagua o coração.

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