O sonho é ferramenta.

Gostaria de fechar mais meus olhos e respirar fundo a ponto de sentir meus ossos, as costelas, contra meus órgãos vivíssimos dentro de mim.
É a primeira vez que me recordo de não estar sendo hipervigilante com minhas ações e sentimentos.
De quantas primeiras vezes há de se fazer uma memória?
Não estou hipervigilante barra aflita barra desesperada com os efeitos do meu viver.
Tenho vivido. Aos trancos e barrancos, mas tenho vivido.
Sem -tanto- medo de errar, mesmo que errando ainda sim.
Me soa uma vida com um quê de adolescência barra inconsequência este jeito de descrever a vida que tenho levado e pode ser que não tenhamos outro jeito de encarar o bancar o que nos consome por dentro, a parte de nós que nos maquina a vida pulsante.
A linha tênue é que há de se jogar na vida disposto a bancar e quando se é adulta barra madura barra vivida a gente consegue enxergar melhor o preço das coisas.
Quando criança, recebo o troco e ele me é o suficiente para ser feliz. Entretanto peço o patins lançamento caríssimo de presente. É que não sei o preço das coisas. Sei o valor da felicidade e então os coloco na mesma prateleira. 
Quando falo sobre o adultecer, encaro de uma perspectiva dura da vida: ela é o que ela é. Não que me falte a vontade de mudá-la, não que não me zangue com o imposto e tantas vezes me canse.
Mas sei que uma geladeira e um enfeite de mesa me custam coisas diferentes.
Quando trago esta lógica mercantil ao desejo estou dizendo mesmo sobre a regência do mundo. Para tudo há de se ter uma troca.
Perdem-se as folhas para enraizar melhor.
Volto ao desejo. Quanto custa bancar o desejo? O quanto me vale este desejo?
Não se faz necessário bancar tudo para viver, mas se faz necessário viver para bancar.

Sinto falta da escrita. Me percebo nova. Escrevendo de um jeito dura contra o teclado, como quem diz sobre uma tese importante enquanto digo sobre aquilo que eu realmente não sei dizer.
Li que escrever é sentenciar.
Escrever é elaborar os passos de dentro para alumiar os passos de fora.
Desarmo os juízes de mim. É tempo de se acender uma vela no peito. 

tenho amado até as redundâncias que permeiam meus textos.

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