2025 - um ano 9.
Finalizar é o verbo que tem sido amplamente utilizado. Eu ainda não sei muito bem o que dizer do ano prestes a findar. Quando olho em retrospecto, sinto um misto de emoções que vão da fotografia que tirei da cadeira branca de plástico jogada em um córrego com a música do Bad Bunny - DTMF à musica de Dona Ivone Lara que canta de maneira alegre: se o caminho é meu, deixa eu caminhar, deixa eu.
É que quando penso em 2025, finalizar não é bem a palavra porque dá um sentido de deixar para trás, para sempre. Se pudesse verbear o ano, seria concretizar.
E concretizar também é um pouco de luto, por mais que o anseio seja de concretude. Porque é perder um propósito, uma meta e se encontrar em um lugar dentro de si que falta sentido e se acolher enquanto esse sentido não existir e se lembrar que viver já é muita coisa.
Durante esse ano vivi alguns lutos: emocionais, de sonhos, de padrões. E nessa espiral da vida vivi alguns começos.
Penso enquanto escrevo: é vivendo que se muda a forma de lidar com aquilo que se vive.
O ano ensinou a intencionar o presente e me equilibrar entre o sonhar e o viver.
Amar o caos, os encontros, as músicas, dançar e nessa dança encontrar outros corpos suados que parecem compartilhar a mesma felicidadee em estar ali. Mas também amar o silêncio, o vazio, o vento que leva a casa ao chão, que chacoalha as plantas.
Aprender a calar sobre aquilo que gesto, mas a compartilhar e celebrar as realizações. A adoçar as palavras sem perder a firmeza dos lábios. Criar corpo e cabeça para ter segurança de si.
É sobre tomar as rédeas do meu caminho.
Rédeas sem cansar os cavalos.
Rédeas sem me conduzir ao precipício.
Rédeas sem andar em círculos.
Condução é constância.
Sonhar é apostar que existem outras coisas no mundo para mim.
A colheita é o que concretiza a plantação.
Será a transformação a única coisa imutável da vida?
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