Eu pintei minha unha de vermelho sangue e senti o cheiro de ferro chegar ao meu nariz. Sorri com a sensação de ter todo meu carmim correr sob minha pele, corei com o pensamento pulsante: Será que é essa a sensação de estar viva?
Ô meu Deus, eu quero viver por amor mesmo que as estrelas se movam pra trás*! Minhas aquarelas mal feitas parecem saltar de seu papel amassado e me roubar as palavras tão simetricamente selecionadas. Nunca me importei com o frio na barriga, mas nunca soube como reagir a tal situação, enfim não fui feita borboleta. Será que um dia encontrarei meu Querência?
Não nasci pra metamorfoses, não cresci pra viver mudanças e só as aceitei quando obrigatórias, mas aceitei com dor. Sempre que fecho os olhos sinto meu emaranhado de células, gases e nutrientes me pecorrer, quase sinto que estou dentro de alguma veia, quando otimista prefiro pensar nas artérias. Será que tenho mesmo um coração?
Estou tão exausta desses meus surtos que as vezes me sinto menos substancial. Eu nunca entendi o meu gosto por livros de palavras desconhecidas e histórias de pessoas que nunca pensei em conhecer, enfim me componho de meus personagens mais distantes e inquietos. Será que um dia descobrirei quem eu sou?
*Mergulhe em busca dos sonhos, E.E.Cumminsgs.
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