A morte de uma estrela.
Uma xícara de café jogada no quanto da sala é o motivo da minha insônia ou será meus sentimentos aflitos? Eu só queria evadir-me mesmo que não seja pássaros selvagens, queria desvairar-me até não conseguir sentir o chão. A insônia me incomoda por que afasta da mais próxima tradução dos meus delírios: os sonhos; pois eles são o mais perto da minha idealização.
Como sou egoísta meu Deus! Sinto que estou perdendo minha muitesa*, queria escrever esse texto sobre o cotidiano ou a simplicidade da vida, mas aqui estou eu tentando mais uma vez me achar, ai de mim e meu tempo perdido. Eu digo que já me acostumei com minhas mentiras e nem me incomodo com minha antiga companheira de solidão. Devo eu dar um nome a ela? Melhor não, reflito sozinha. Quando se dá um nome é por que já se apegou e eu me proíbo de cativar, por que nunca quis ser responsável por nada, quem dirá uma vida! Mas me pego em trapaça decidindo quais letras e fonemas combinam mais com seu brilho.
-Ora Camila e o acordo que fizemos? - Me pergunto ofendida.
Me aponta uma verdade em meio as minhas trapaças: ela não existe mais. Seu brilho é só o reflexo de uma vida longa e bem vivida de um lugar que já foi seu; como gostaria de poder ter vivido e morrido por ela! Então um lembrete urgente me vem a mente: Você não saberia ser imortal como ela. Quem poderia substituir minha reflexão? Àquela que se estendeu pra mim a ponto de me tocar? Aquela que viveu e morreu pra que hoje pudesse estar em meio a insônia; Aquela por quem me deixei cativar.
*Alice no país das maravilhas (filme)
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