Não se afunde no Formol, por favor Daniel!


-Você não vai Brigar Heloísa?

-Não Daniel, já me acostumei com suas brincadeiras de todos os dias.

-Só por isso? Achei que gostaria de rir, na verdade ainda acho!

-Olha você não está errado quanto a isso, é só que as vezes precisamos de coisas novas sabe? Não me leve a mal Daniel, mas você é uma pessoa que nunca muda e vivo me perguntando se isso é bom ou não.
-Mas esse é o meu diferencial Heloísa; nunca mudar. Pense comigo: as estações mudam, a pele muda, os sonhos mudam, mas eu não.

-Você me lembra museu, é isso. Parece que te afundaram no formol. Não consigo mais me surpreender, e por não mudar nunca penso que o que mudou foi meu gosto por essa nossa amizade.

-Como assim Heloísa, nosso relacionamento também sofre metamorfose? Por eu estar nele pensei, vagamente, que ele se manteria intacto; assim como aquele sentimento que me fez jurar esquecer.

-E você jurou lembra Daniel? Então por que se refere a ele agora? Pensei que fosse um homem de palavra. Viu? Você acabou de mudar.

-Eu não mudei não, você que mudou seus olhos e isso é diferente. Eu nunca hei de abandonar o formol, mantenha isso dentro da sua cabeça.

(pausa)

-Heloísa?! Você está brava comigo?

-Não, você sabe que eu nunca consigo ficar brava com você e esse é sempre um outro impasse que me vejo envolvida. Não me chatear com você é bom ou é ruim.

(silêncio)

-Heloísa não vai brigar por que usei essa piada de todos os dias?

-Não. Lutar contra a verdade é um fardo exaustivo. E assim eu me tornaria uma peça do seu museu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

felicidade sóbria

fazia tempo que não sentia os pensamentos correrem livres entre meus olhos, por dentro de minhas narinas, passando pela minha boca, atravess...