O centro do universo.

Uma mulher sussurra ao meu ouvido seus planos para o futuro e essas palavras são combustível para um novo texto. Eu compartilho de seus sonhos, afinal somos ligadas, somos gêmeas siamesas de alma.

Eu nunca entendi essa necessidade de ter aqueles pensamentos, mas partilhava de cada emoção. "Eu não quero ser como o mundo mamãe! Eu não quero girar sempre em torno da mesma coisa, no mesmo lugar. Eu quero ir à outras galáxias, conhecer outros planetas e infindáveis e obsoletas vias nem sempre lácteas. Eu quero conhecer o universo e, principalmente, quero que ele me conheça." Senti os olhos pesados e marejados daquela mãe me atravessar enquanto eu bradava essas palavras afiadas como um eco, uma segunda voz. Esse olhar nunca mais saiu de dentro de mim.

E meu excesso tinha cada vez mais sonhos e cada vez mais emoções e me doía a cada nova etapa como uma vacina de prevenção. E a pergunta sem final brotava em minha cabeça "E se..." interrompida pelo romper e mais um desejo. Eu queria tanto dizer a minha alma que desta vez seria diferente, que agora chegaríamos no lugar que ela sempre almejou, mas não conseguia acreditar nesses trechos. "Você ainda será sol." Eu sussurrava. "Você ainda será sol."

Nós seremos sol!" Ela me corrigia, "nós." Quem me dera nascer com o poder das palavras! E foi assim que nossa alma se rompeu, quando e descobri a rachadura, a falha: Nunca seremos iguais, nós nunca fomos, nunca.

2 comentários:

felicidade sóbria

fazia tempo que não sentia os pensamentos correrem livres entre meus olhos, por dentro de minhas narinas, passando pela minha boca, atravess...