O funeral daquilo que me é vida.


Meus olhos choram em cima de um marrom, hoje, sem vida. Qual o significado das cores afinal? Minhas nuvens amendoadas insistem em olhar na direção daquilo que um dia foi e hoje não é mais.

Você era a vida de todos nós. Por que meu Deus, por quê?

Apesar dos meus cotidianos suspiros pelo seu verde, você sempre se mostrava mais. E mesmo com toda a sua eternidade de vida, eu sabia que me surpreenderia. Hoje trago o mar ao seu antigo lar, ao meu antigo esconderijo e como eu sinto falta meu Deus! Desde seu marrom encoberto até suas aquarelas em movimento. Quem somos nós senão imitadores de sua fluidez e originalidade. Por que somos incapazes de sermos autores ou até mesmo criadores de formas, sons, cores, cheiros.

O céu azul quase negro borrado pelo laranja insistente de um sol que teima em não se por, hoje estamos todos em um funeral, onde nós somos o assassino. E o firmamento e o mar e os rios se juntam ao meu coro de lágrimas pálidas; ô Deus, eu não queria fazer parte desse cenário atroz e desfigurado do que um dia já foi meu.

Minha voz se prende na gargante e se secam minhas cordas vocais, sempre fui falha em pronunciar minha dor, eu penso isso tudo ao ver minha constelação e reflito que ela não está lá. Por Deus, tudo que eu amo se esvai sem que eu ao menos possa te-los em minha mão, não consigo senti-las nem escoar sobre meus dedos.

Eu só quero sentir o cheiro do meu azul, meu verde e meu amarelo pálido que não existem mais. Meu espectro reduzido de cores, agora doentes. Não sei como finalizar esse texto fúnebre, pensei e consegui sentir o cheiro de todo o mundo e por um instante senti que tudo estava em seu lugar, antes de se estabelecer uma sociedade, antes de se obter o progresso que só está nos levando à mentalidade de ancestrais passados. Somos todos errantes.

"Vi uma estrela tão alta, vi uma estrela vazia"

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