A primeira estrela do céu.


A primeira estrela do céu é um avião e o crepúsculo se colore com a poluição ajuntada ao longo do dia.  E quando chega a noite eu tenho sonhos mal dormidos e quase caio da cama, mas insônia nunca mais! - repito em sussuro. Eu não consigo mais fechar meus olhos durante o dia por quê sei que o mundo passa rápido demais e não posso perdê-lo. Sorrio sorrisos artificiais para pessoas que vêem algo mais em mim, algo além do que pareço realmente ter. Sou indiscreta e indiscriminada. Sou neutra e parcial e pareço ter sempre as palavras certas aos ouvidos dos outros. Esse mundo não é meu - sussuro também, só para mim.

Minhas manias sustentadas pelo comodismo estão se estabilizando e sentada dentro do ônibus, fixo meu olhar no agora e no lá fora à procura de algo que não me deixará ser quem eu sou. Tenho sede por mudanças constantes e transitórias e minha fome por palavras parace (finalmente!) estar cessando. Se lilás é indefinir, laranja é compor e o azul - Meu Deus! - tão profundo que não sou capaz. Passei por dias procrastinando e agora parece ser inexorável que eu desabroche. E me transforme em quê? É a pergunta que me perturba sempre que esse pensamento me invade azul. Uma fome de ser me corrompe e a linha desnexa se esvai no vento do inverno.

E a primaver adentra a janela emperrada em forma de flor que o vento tirou pra dançar -uma última dança- e vou me encaixando no que é preciso. O frio é consumido no caminhar da noite e a tristeza se vai com a chegada do sol. Um sol frio e cansado, um vento quente e passageiro e eu cansada e passageira. Oca como a Terra que habito.Descubro então: a cidade é apenas um espelho virado para o céu.

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