Meu céu quadrado e sua única estrela.


Eu tenho meu céu. Quadrado, escuro e com uma única estrela. E sempre que vou dormir sei que acordo mais perto. Meus olhos estão trincados e já lúcidos e entorpecidos de sentimentalismo alheio. Minhas mãos estão paradas e pela primeira vez desejei por uma mudança. Cortei minhas unhas e (finalmente!) despintei-as do seu carmim desbotado e corroído pelo tempo. Os dias tem ventado e eu me sinto nova com as folhas mortas no  chão e saio de casa só pelo prazer de pisoteá-las até que o som de rachado me chege aos ouvidos.

E desejo também uma nova sensação, então corro por quilômetros e entro em casa descalço sentido o piso frio me arrepiar. Preciso sussurar um segredo: não consigo mais escrever  com a luz acessa. As doses de café tem aumentado ao longo do dia também, agora ao chegar a noite encontram-se três ou quatro canecas espalhadas pelo quarto, todas suja. Minha insônia não tem mais o mesmo motivo e tenho escutado músicas de anos atrás. Tenho ficada apreensiva ao ver minha única estrela. E me perguntado por quê ela não chora mais comigo.

E minhas ações estão automáticas e simétricas. Acordo às dez, sorrio até as quatro da tarde, suspiro fundo as seis e as vezes penso no sol se pondo, choro um pouco depois das oito da noite mas as lágrimas dos outros; não tenho por quê chorar senão por eles. E o meu dia é tão certo quanto o calor do fogo. Como se eu precisasse de algo que não quero ter. Tenho preguiça até de conhecer pessoas novas e tenho me arrependido. De tudo um pouco, mas no crepúsculo sinto que foi necessário. Preciso confessar que apaguei e reescrevi o inicio centenas de vezes e todos são pequenos e insignificantes para o tamanho do meu sentimento e dolorido mesmo será escrever o final e o título. O meu céu continua lá e a luz se mantêm apagada e os sentimentos do mundo permanecem em constante movimento: entram pelos ouvidos e saem pelos dedos.


"Eu disse: a lua está tão bonita que dói por dentro. Ele não entendeu. É tudo tão bonito que me dói e me pesa."

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