A resposta para alguns meses atrás


Querida Lívia,

Não sou tão bom com as palavras quando preciso escrever meus sentimentos. Nunca fui.

Sempre te falei do teu orgulho manchado de cansaço. Eu permaneço estagnado no momento que comecei a sentir sua falta. Falta das suas mãos nos meus cabelos, falta do seu sorriso me recebendo com o cuidado que só uma mulher sabe ter, falta dos teus olhos grandes, negros e inquietos que me inundavam de perguntas e me faziam querer te pertencer. Preciso dos seus olhos focados em mim, Lívia. Sinto falta até daqueles momentos insanos que te suplicava pra ficar e te confessava que não sentia ciúmes, mas medo; medo de te perder pra alguém melhor do que eu. E ao contrário de você, não quero que as pessoas te conheçam; quero te tomar em meus braços e poder te chamar de minha. Por que o seu dom e maldição foi ter me feito seu.

Você é estrela Lívia. E o céu te engole toda noite, só que você nunca pertenceu à escuridão; você sempre foi sol. Seus olhos são um céu em si. Nossas cartas serão sempre a prova de que amores morrem, mesmo que permaneça em cada um de nós.  O tempo foi o juiz e a desculpa perfeita pra nunca termos lutado e tentado fazer dar certo. A nossa música nunca mais foi a mesma e hoje não consigo escutá-la sem a nostalgia do amor.

Você nunca foi articulada Lívia, nunca foi concreta e nunca será. Se sou atemporal, você é sequente.  Você é toda feita em efeito cascata; efeito dominó. Anda em seus sentimentos, como se fizesse malabares em corda bamba e isso sempre foi o que mais me encantou em você, seguido dos seus desejos loucos que não cabem em uma vida só. Você sabe Lív, te deixaria nos meus braços e cantaria baixo em teus ouvidos até que esses sonhos fossem só sonhos e sua vida, minha vida também.

Peço-te que não me faça narrador dos teus contos mal escritos. Tua voz deve ser sua narração. Tua voz e teu olhar te contam, te mentem e te revelam.  Pretendo mais que me evadir pássaros selvagens; desejo estar onde não haja chão sob meus pés, por que assim não terei alternativas: morro em queda livre ou você me segura em tuas asas.

Com o amor que ainda resta pra nós, Eduardo.

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