Quatro parágrafos desabafados pr'um anjo da guarda descuidado


Há muito me esqueci da nobreza do nascer do sol ou de toda beleza exposta por sua luz. Esqueci da natureza em si; do quanto costumava ser bucólica e de como costumava amar o que eu era. Então resolvi deixar tudo para trás e comecei a escrever despedidas, sem chorar, tentando não me esquecer de tudo que tinha planejado dizer antes de dormir.

O sentimentalismo despertado há alguns anos atrás não adormeceu e parece renovar sua juventude nas minhas palavras melancólicas e torrenciais. E começo a ficar cansada demais, Serafim.
Começo a me determinar e absorvo os pontos finais que encontro pelo caminho sem criar rugas de preocupação, por que acho - e sempre achei- que o fim fosse um bom incentivo pra seguir com a vida.

E as histórias, antes precedidas com as palavras "era uma vez" agora tem a seguinte descrição: "baseada em fatos reais" e terminam com as lágrimas que derramo enquanto os créditos sobem a tela até desaparecerem. A madrugada encobre meus passos silenciosos pela casa, enquanto tudo se balança dentro de mim fazendo estardalhaço.

Ai, Serafim, o que será de mim? Mais dia menos dia deixará de escrever o final de um amor poético e utópico em que se dirá “e eles foram felizes para sempre" e então tudo que se lerá é "em altos e baixos a vida continuou, só que a dois" e ponto final

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