- Está triste? - Ele me
perguntou enquanto estendia o braço ao me entregar a caneca fumegante de café.
-Nostálgica - Respondi, sorrindo em agradecimento. - Mas
feliz. - completei ao levar a caneca à boca.
Ele se sentou no braço da
poltrona e me abraçou de lado até que estivesse deitada em seu peito, coberta
pelo seu braço ao meu redor. Respirei fundo tua fragrância de Fougére
Fresco, fechei os olhos e me encolhi ainda mais no sofá, como se ele
pudesse me engolir em seu abraço de consolo. Teus olhos castanhos confiáveis me
olhavam enquanto teus lábios afagavam meu cabelo em um beijo delicado. Ficamos em silêncio enquanto ele brincava com
meus dedos e acariciava o dorso da minha mão ao retirar a caneca vazia.
- Não precisa se
preocupar. No final eu sempre fico bem, não é? - sorri de lado, sem ter a coragem de me
movimentar. O momento que pairava ali, o tempo que compartilhávamos deveria ser
congelado, gravado, fotografado, antes que o fim o consumisse.
- Você sempre fica bem,
eu sei. Mas deixa eu te mimar e te sentir desprotegida assim, sabe que sinto
falta dos momentos em que você me precisa. -
Ele sempre quis ser meu
protetor e nunca me pediu nada, além disso. Me amava sem esperar algo, só se
esquecia que raramente eu deixava transparecer meu medo e descuido com a vida.
Aprendeu sobre meu orgulho e recolheu meus brados com seu silêncio
ensurdecedor. Pairava no ar a tensão das brigas que nunca aconteciam e dos
carinhos nunca trocados. Então ele se apegava aos meus momentos ternos e me
abraçava gravata e desatava todos os meus nós até que eu aprendesse a chorar.
Me fazia uma xícara de café, tirava meu cabelo da nuca e cantava até ficar em
silêncio e eu sabia que esse era o jeito dele ser meu.
- Te preciso sempre. -
sussurrei, ainda que assustada com minha revelação. Ele beijou o alto da minha
testa e saiu carregando minha caneca pela cozinha adentro. Suspirei com sua
falta de palavras.
- Mas precisa de mim na
mesma intensidade que sempre precisa ir. - Ele gritou de longe e eu percebi
abafado o ressentimento. Sorri distraidamente ao lembrar a forma da sua mão e
do quanto eu parecia estrondosamente pequena em relação a ele.
- É eu sempre preciso ir
quando começo a aprender como ficar, mas sempre vou esperando o momento de
voltar. - Respondi aliviada pelo tom de voz e pela fluidez da conversa.
Ele voltou ainda
enxugando as mãos.
- Por isso te deixo
partir, por que eu sei que vai voltar. Você sempre volta pro meu café e pelo
meu abraço. - sorriu ao me levantar.
Ligou o radio baixinho, deitei em teu ombro e começamos a dançar.
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